Revolta no BPC: Funcionários denunciam aumentos milionários no topo enquanto base enfrenta 4 anos de estagnação
Redação | Luanda
O Banco de Poupança e Crédito (BPC) enfrenta uma crise interna profunda, com trabalhadores a acusarem a administração de privilegiar a elite dirigente com aumentos salariais significativos, enquanto a maioria dos funcionários permanece sem qualquer atualização salarial há mais de quatro anos.
Indignação generalizada na base
A decisão é descrita por fontes internas como um verdadeiro “murro no estômago” para a classe trabalhadora do banco, sobretudo num contexto marcado pela inflação e pela perda contínua do poder de compra.
Funcionários afirmam que o reajuste para administradores e diretores foi aprovado sem diálogo com os representantes dos trabalhadores, quebrando práticas institucionais e aprofundando o sentimento de injustiça dentro da organização.
“Nós mantemos o banco a funcionar, mas somos ignorados. Lá em cima há privilégios; cá em baixo, apenas sacrifício.”
Falta de transparência e jogo de responsabilidades
A crise é agravada por acusações de falta de transparência na gestão salarial. Segundo informações internas, o Presidente da Comissão Executiva, Luzolo de Carvalho, terá atribuído à Direção de Capital Humano, liderada por Gunther Costa, a responsabilidade pelo atraso no reajuste dos salários da base.
Apesar de alegadas orientações para uma proposta de aumento transversal, o processo permanece bloqueado, gerando frustração e descrédito entre os trabalhadores.
Gestão sob pressão e riscos organizacionais
A liderança de Cláudio Pinheiro surge no centro das críticas, sendo apontada por trabalhadores e especialistas como uma das mais desgastantes em termos de clima organizacional.
- Queda significativa da produtividade
- Fuga de talentos para a concorrência
- Aumento da desmotivação e conflitos internos
Sindicatos avançam para medidas de protesto
O descontentamento já ultrapassou os limites internos do banco. Sindicatos do setor financeiro iniciaram contactos para convocar uma Assembleia-Geral Extraordinária, com várias formas de protesto em análise.
- Recusa coletiva de horas extras
- Operação “tartaruga” no atendimento
- Greve ou paralisação nacional
Assembleia de acionistas poderá decidir futuro
Com a aproximação da Assembleia Geral de Acionistas, a pressão sobre a atual administração intensifica-se. Os acionistas, representando o Estado angolano, terão de avaliar a continuidade de uma gestão contestada por mais de mil trabalhadores.
Nos corredores do BPC, a questão central ecoa com força: até quando será possível exigir resultados de uma força de trabalho que se sente ignorada e desvalorizada?
O desfecho desta crise poderá marcar um ponto de viragem decisivo na gestão do maior banco público do país.