O Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) determinou o afastamento do advogado Carlos Salombongo, que exercia funções de assessor, na sequência de denúncias que o ligam a uma alegada rede de extorsão e tráfico de sentenças que operava a partir do gabinete do antigo presidente do Tribunal Supremo e do próprio CSMJ, Joel Leonardo.
Segundo fontes judiciais, Carlos Salombongo é apontado como uma das figuras centrais do esquema, atuando como intermediário entre arguidos e magistrados, valendo-se da sua proximidade ao então presidente do Tribunal Supremo para alegadamente facilitar a manipulação de processos e a negociação de decisões judiciais em troca de avultadas quantias monetárias.
Embora não integrasse a magistratura, Salombongo apresentava-se como assessor com influência relevante e acesso privilegiado às estruturas de decisão do CSMJ, circunstância que lhe permitia intervir em processos considerados sensíveis, intermediar decisões judiciais e beneficiar de contratos de fornecimento de bens e serviços àquela instituição, referem as mesmas fontes.
As denúncias indicam que a sua atuação terá contribuído para fragilizar a credibilidade do sistema judicial angolano, alimentando a perceção de captura do setor por interesses privados e práticas de natureza corruptiva.
O afastamento ocorre já sob a presidência do juiz conselheiro Norberto Sodré João, eleito em novembro de 2025 para liderar o Tribunal Supremo e o CSMJ, na sequência da saída de Joel Leonardo.
A atual direção do órgão tem reiterado o compromisso de reforçar a integridade institucional da magistratura e de adotar medidas que garantam a transparência e a confiança pública no sistema de justiça.
com/Club-K