Apesar de ter beneficiado de bilhões de kwanzas provenientes dos cofres do Estado e de avultados créditos bancários, o Grupo Carrinho continua sem apresentar um impacto visível, proporcional e sustentável na mitigação da crise alimentar em Angola. A discrepância entre os recursos recebidos e os resultados no terreno levanta sérias dúvidas sobre a eficácia, a transparência e a responsabilidade social da empresa.
Angola enfrenta atualmente uma situação alimentar alarmante, marcada pelo aumento contínuo do custo de vida, pela insegurança alimentar em várias províncias e pela dificuldade crescente de acesso a bens essenciais por parte de grande parte da população. Neste contexto, a presença do Grupo Carrinho no sistema nacional de abastecimento revela-se fraca e aquém das expectativas criadas pelos apoios públicos e benefícios financeiros concedidos pelo Estado.

A ausência de medidas estruturais eficazes, de políticas de preços acessíveis e de uma distribuição ampla e equitativa de alimentos tem alimentado questionamentos sobre a real contribuição do grupo para a segurança alimentar nacional. Organizações da sociedade civil e analistas interrogam-se sobre o retorno social dos investimentos públicos canalizados para a empresa.
A situação torna-se ainda mais grave no sul de Angola, onde camponeses denunciam práticas de exploração e humilhação no âmbito do plano de compra e abastecimento de produtos agrícolas executado através do Grupo Carrinho. Segundo os produtores, os preços impostos são baixos, os critérios de seleção pouco claros e as condições de entrega penalizam severamente os pequenos agricultores, agravando a vulnerabilidade económica no meio rural.
As denúncias reacendem o clamor por uma investigação independente para apurar o destino dos milhões de kwanzas injetados no programa, alegadamente sem concurso público transparente. Agricultores, analistas do sector agrícola e cidadãos comuns apontam indícios de criação de agricultores fictícios, falhas graves na fiscalização e suspeitas de desvio da merenda escolar, comprometendo diretamente a alimentação de crianças e comunidades vulneráveis.
Especialistas defendem a realização urgente de auditorias rigorosas, maior transparência nos contratos, a publicação da lista de beneficiários reais e a responsabilização dos gestores envolvidos, como forma de garantir que os recursos públicos cumpram a sua finalidade: chegar efetivamente aos produtores, fortalecer a agricultura familiar e assegurar o direito básico à alimentação para as famílias angolanas.