LUANDA – A família de Mónica, uma jovem de 22 anos, exige justiça e o esclarecimento das circunstâncias da sua morte no município do Kilamba. O caso, marcado por versões contraditórias do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e pelo enterro prematuro da vítima sem autorização dos familiares, lançou a comunidade em estado de choque.
O Desaparecimento e a Notícia do Óbito
Segundo o relato do pai, Rodrigo Reis, a jovem despediu-se da família informando que visitaria uma tia por 12 dias. Contudo, Mónica terá permanecido na residência de uma suposta amiga, de identidade ainda não revelada.
A família só tomou conhecimento da tragédia no dia 24 de dezembro, quando efetivos do SIC se deslocaram à sua residência para entregar os pertences da jovem, informando que esta já estava morta e — para espanto dos familiares — já havia sido enterrada.
Contradições Oficiais: Três versões para um crime
A investigação apresenta falhas graves e narrativas que não coincidem, segundo as denúncias da família:
- Versão da Intoxicação (51.ª Esquadra): Inicialmente, foi dito que Mónica morreu após ingerir uma refeição (feijão com kizaca) com três amigas no KK 5.000. As amigas teriam sido socorridas, mas Mónica faleceu no local. O processo foi registado sob o n.º 7623/25.
- Versão de Homicídio (Comando Municipal): Mais tarde, o SIC apresentou uma versão oposta, alegando que a jovem foi assassinada na via pública e que já existia um suspeito detido.
- Evidências Físicas: A família teve acesso a imagens do corpo que mostram roupas ensanguentadas e a testa coberta por adesivos, indícios que contrariam a tese de morte por intoxicação alimentar.
Enterro “Administrativo” sob Suspeita
O ponto mais crítico do caso reside na rapidez do sepultamento. Na Morgue Central de Luanda, os familiares confirmaram que o corpo deu entrada na madrugada de 19 de dezembro e foi enterrado apenas três dias depois, a 22 de dezembro.
A administração da morgue alegou que o enterro ocorreu por “orientação do Governo”, uma prática comum apenas em corpos não identificados ou abandonados, o que não se aplicava a Mónica, cujos pertences e identidade eram conhecidos pelas autoridades e pela “amiga” que acompanhou o SIC.
Família Exige Exumação e Justiça
Inconformados com a falta de transparência, os familiares denunciam o que consideram ser uma tentativa de ocultação de provas. “Exigimos saber a verdade. Como podem enterrar uma filha sem avisar os pais se sabiam quem ela era?”, questionam os parentes.
O caso segue agora sob forte pressão social, aguardando-se um pronunciamento oficial do Ministério do Interior e da Direção Geral do SIC para esclarecer as discrepâncias entre as esquadras e o motivo do enterro compulsivo.