LUANDA – A empresa de transporte rodoviário Cidralia, associada ao empresário Minoru Dondo, suspendeu os contratos de 131 funcionários no passado dia 30 de dezembro. A decisão, comunicada através de uma lista afixada nas instalações da empresa, justifica-se por uma alegada falência técnica e prevê o afastamento dos colaboradores por um período de seis meses sem remuneração.
Falta de Aviso Prévio e Salários em Atraso
Os trabalhadores visados denunciam a forma repentina como o processo foi conduzido. Segundo relatos recolhidos pela redação, a suspensão ocorreu sem comunicação prévia e os funcionários ainda não receberam o salário referente ao mês de dezembro de 2025.
“Tivemos uma reunião e, de repente, vimos a lista colada com os nomes dos suspensos. Disseram-nos que vamos ficar em casa seis meses sem salário”, lamentou um dos porta-vozes do grupo.
Crise na Frota: De 75 para 37 Autocarros
Em comunicado oficial, a Cidralia justifica a medida com a degradação da sua capacidade operacional. A empresa, que chegou a operar uma frota de 75 autocarros (entre meios próprios e alugados), conta atualmente com apenas 37 unidades disponíveis.
A administração aponta como causas principais para esta crise:
- A recessão económica do mercado.
- Quebras constantes dos meios rolantes.
- Dificuldade na aquisição de acessórios e peças sobressalentes.
Acusações de Má Gestão
Apesar das justificativas da empresa, os funcionários contestam o argumento de falência por falta de procura. Alegam que nunca faltaram passageiros e que as receitas provenientes de alugueres a empresas públicas e privadas deveriam ser suficientes para manter as operações e os salários.
Para os trabalhadores, o problema central reside na administração atual. “A falência resulta de má gestão. Sugerimos aos sócios que retirem os atuais gestores e coloquem pessoas novas; verão a diferença”, alertam, sugerindo que o desvio de fundos poderá estar na base do colapso técnico.
Transferência para a MACON
Informações de fontes próximas ao processo indicam que, devido à falta de espaço e à redução das operações, os autocarros restantes foram transferidos para o parque e estaleiro da transportadora MACON, localizado no Kilamba. A previsão é que a empresa permaneça nesta situação de contingência até junho de 2026, altura em que se espera uma tentativa de recomposição financeira e operacional.