Documentos e relatos que circulam no sector financeiro levantam suspeitas sobre um alegado esquema de favorecimento e exigência de comissões para concessão de crédito no Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA). As denúncias, enviadas ao Banco Nacional de Angola (BNA) e posteriormente encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), permanecem sem desfecho conhecido, alimentando dúvidas sobre eventual proteção institucional a dirigentes da instituição.
Fontes próximas ao processo alegam que clientes do BDA apresentaram documentação sugerindo subfaturação em contratos e exigências indevidas para liberação de financiamentos. As queixas apontam para o presidente do conselho de administração do BDA, João Salvador Quintas, e o director de crédito, José Igor de Oliveira — este último referido pelas fontes como tendo ligações familiares com o actual governador da província de Benguela, Manuel Nunes Júnior.
De acordo com as denúncias, a alegada rede de influência incluiria o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, ex-governador do BNA. As fontes sustentam que Massano seria considerado uma figura-chave na blindagem institucional dos dirigentes do BDA. Nenhuma das alegações foi oficialmente confirmada.
A documentação consultada menciona ainda o director de gabinete do Ministro de Estado, Malamba Feitio, como suposto elo operacional. Segundo os relatos, informações internas sobre o funcionamento do banco seriam partilhadas com o gabinete ministerial, alimentando uma teia de influência que garantiria continuidade na gestão do BDA, mesmo diante de queixas formais.
A PGR, questionada, não reconheceu oficialmente a existência de processo relacionado ao caso. A ausência de progresso processual — mais de um ano após a origem das denúncias — levanta suspeitas sobre eventual adormecimento do dossiê no Ministério Público, possibilitando que os principais visados continuem a desempenhar funções de alta responsabilidade no sistema financeiro público.
A Inspeção-Geral da Administração do Estado (IGAE) também foi notificada, segundo fontes próximas ao processo, mas não divulgou qualquer ação.
O BDA foi criado com o mandato de financiar o desenvolvimento económico do país. No entanto, críticos afirmam que a instituição tem sido reiteradamente associada a práticas de concessão de crédito que favorecem círculos próximos ao poder político e económico.
Tentativas de contacto com os principais citados, incluindo o BDA, o Ministro de Estado José de Lima Massano e o seu director de gabinete, Malamba Feitio, não obtiveram resposta até ao fecho desta reportagem.
O caso permanece sem esclarecimento público, e a ausência de avanço processual coloca sob pressão o sistema judicial angolano, já alvo de críticas por alegada seletividade e lentidão em casos de corrupção envolvendo altos cargos do Estado.