Uma série de documentos exclusivos, que incluem comprovantes de transferência bancária e um bilhete de avião, emergiu para corroborar os relatos de um escândalo de corrupção e traição no setor de petróleo de Angola.
As provas documentais dão materialidade a um esquema previamente descrito num áudio, que revela uma operação de alto nível para silenciar um denunciante que acabou por se transformar numa disputa por milhões de kwanzas.
O Rasto de Papel de um Acordo Secreto
No centro da investigação, a figura de Sebastião José Salazar, identificado como Sacatinde no áudio, que alegadamente tinha informações prejudiciais sobre o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e a Sonangol. Os documentos mostram um pedido de transferência bancária feito pela empresa RAI&NOR – Investimento e Prestação de Serviços, Lda ao BAI, solicitando o pagamento de 45 milhões de kwanzas a Salazar. A finalidade oficial da transferência é descrita como “consultoria em prevenção de fraude e branqueamento de capitais”, um detalhe que contrasta fortemente com o propósito real da operação, que era comprar o silêncio de Sacatinde.
O valor de 45 milhões de kwanzas é a prova fundamental da traição. De acordo com o áudio, a quantia foi significativamente reduzida do valor inicial acordado.
A Confirmação do Engano
Os documentos confirmam o enredo descrito no áudio. Um comprovativo de transferência do BAI mostra a transação de 45 milhões de kwanzas para a conta de SABALO JOSE MOISES SALAZAR. Este documento corrobora a alegação de que Sacatinde foi enganado e não recebeu a sua parte total na operação, conforme o acordado.
As provas também validam a viagem de Sacatinde.
Um bilhete de embarque da TAP Air Portugal mostra a viagem de SALAZAR/SABALO de Lisboa para Luanda, na mesma data em que ele teria chegado para a reunião. Outra transação bancária no valor de 3.591.000,00 kwanzas de EDUARDO JOAO SOUSA SANTOS para a conta de SABALO JOSE MOISES SALAZAR provavelmente foi um pagamento inicial ou destinado a cobrir custos da viagem.
A combinação do áudio com os documentos sugere que o suposto desvio do restante do dinheiro foi orquestrado por altos funcionários, deixando Sacatinde e outros intermediários em uma posição difícil.
A documentação transforma a narrativa de uma negociação falhada em um caso concreto de alegada fraude e
corrupção, que agora tem um rasto financeiro claro e detalhado.

FONTE:makamavulonews