Uma investigação jornalística divulgada pelo OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project) revela como um grupo de figuras de elite de Angola, incluindo ex-altas autoridades e executivos de bancos, criou uma rede financeira secreta para movimentar centenas de milhões de dólares para fora do país, com destino a Portugal e outras nações da União Europeia.
Segundo o relatório, a rede canalizou pelo menos US$ 324 milhões, a maior parte originária de Angola, por meio de bancos privados e suas filiais criadas na Europa e em Cabo Verde.
As auditorias realizadas por reguladores portugueses em 2016 identificaram que esses bancos violaram diversas regulamentações e tinham uma “falta de diligência” em relação à origem dos fundos.
A investigação aponta o ex-vice-presidente Manuel Vicente,Lima Massano e o general reformado Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido como “Dino”, como os supostos arquitetos do esquema.
O dinheiro teria sido desviado de fontes públicas, incluindo a Sonangol, a empresa petrolífera estatal, e empréstimos do banco central angolano que nunca foram pagos.
A reportagem também menciona que empresas associadas a Isabel dos Santos, filha do ex-presidente, teriam recebido milhões.
A matéria contrasta a vasta riqueza petrolífera de Angola com o facto de quase metade da população viver na pobreza.
Segundo a investigação, parte do dinheiro desviado poderia ter sido investido em infraestrutura, saúde e educação.
Apesar das conclusões alarmantes das auditorias, que foram levadas ao conhecimento das autoridades de Portugal e da União Europeia, a rede financeira continua a operar. A investigação levanta sérias questões sobre a capacidade e a disposição da UE e de Portugal em interromper os fluxos financeiros ilícitos provenientes de Angola.