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Florbela Malaquias acusada de desviar mais de 96 milhões de kwanzas do PHA

Florbela Malaquias acusada de desviar mais de 96 milhões de kwanzas do PHA

Posted on Agosto 17, 2025

O Partido Humanista de Angola (PHA) enfrenta a mais grave crise da sua curta história, com a liderança em disputa e acusações que abalam a sua estabilidade interna.

No sábado, 16 de Agosto, a Comissão Política Nacional anunciou a destituição imediata de Florbela Catarina “Bela” Malaquias, do cargo de presidente, alegando graves violações estatutárias e atos de gestão danosa.

De acordo com o relatório disciplinar analisado pelo órgão, a dirigente é acusada de transferir mais de 96 milhões de kwanzas de fundos partidários para contas particulares, utilizar 4 milhões de kwanzas em benefício próprio, pagar quotas pessoais com recursos do partido, alienar um veículo Toyota Hilux a favor do filho, além de não apresentar as contas de gestão de 2023 e 2024.

Para a Comissão Política Nacional, tais práticas configuram infrações disciplinares graves, previstas nos estatutos, justificando a aplicação da pena máxima: a destituição.

O comunicado, assinado por Ivo Gonçalves Ginguma, presidente em exercício, sublinha ainda que o caso “já não é apenas intrapartidário, mas entre a cidadã Florbela Malaquias e a Lei”, anunciando o envio do processo à Assembleia Nacional, Tribunal de Contas e Ministério Público.

Horas depois, a própria Florbela Malaquias reagiu em comunicado, classificando a decisão como “falsa, ilegal e destituída de qualquer efeito jurídico ou político”.

Segundo a líder humanista, apenas a Convenção Nacional, órgão supremo do partido, tem competência para deliberar sobre a sua substituição. Nesse sentido, considera qualquer decisão tomada fora desse fórum uma “usurpação de funções e atentado à legalidade democrática interna”.

Florbela assegura que mantém-se no pleno exercício das suas funções, com legitimidade conferida pela Assembleia Constituinte e reconhecida pelas instituições do Estado.

Reforçou ainda que a direção legítima está a preparar a realização da I Convenção Nacional do PHA, marcada para 30 de agosto de 2025, cujos trabalhos são coordenados por uma Comissão Provisória Preparatória.

Enquanto a ala dissidente acusa Florbela de “violar a ética, a legalidade e os princípios humanistas”, a dirigente rejeita as acusações, pede serenidade aos militantes e denuncia o que chama de “manobra divisionista”.

Com duas narrativas em choque — de um lado, a Comissão Política Nacional a proclamar a sua destituição; do outro, Florbela Malaquias a reafirmar-se presidente — o PHA mergulha numa disputa de legitimidade que poderá ter consequências profundas no futuro político do partido.

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