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Mexidas no Exército levanta suspeitas de tensão entre generais

Mexidas no Exército levanta suspeitas de tensão entre generais

Posted on Julho 12, 2025

Uma reestruturação no comando do Exército angolano, oficializada ontem, sexta-feira, 11, pelo Presidente da República e Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA), João Lourenço, está a gerar especulações sobre possíveis desentendimentos entre dois altos oficiais das FAA.

Em três decretos presidenciais assinados ontem, o Chefe de Estado exonerou o tenente-general João Cruz da Fonseca do cargo de 2.º Comandante do Exército, posição que ocupava desde Janeiro de 2023.

Simultaneamente, determinou a sua passagem à situação de inactividade temporária, uma medida que, embora prevista na legislação militar, é pouco comum entre oficiais do seu escalão ainda em idade operacional.

Numa decisão que surpreendeu observadores do sector da Defesa, o Presidente exonerou também o tenente-general Remígio do Espírito Santo do cargo de Comandante da Região Militar Sudeste, função que exercia desde Janeiro de 2024, e, logo em seguida, nomeou-o para 2.º Comandante do Exército, cargo anteriormente ocupado por João Cruz da Fonseca.

Embora o Executivo não tenha avançado justificações para as mudanças, fontes militares consultadas sob anonimato pelo Imparcial Press levantam a possibilidade de tensões internas entre os dois generais.

Recorde-se que, aquando da nomeação de Remígio do Espírito Santo para a Região Militar Sudeste, este esteve acompanhado por João Cruz da Fonseca, numa missão que, à época, simbolizava uma relação hierárquica clara entre os dois.

A rápida ascensão de Remígio, agora em posição superior ao seu anterior superior, reabre o debate sobre alinhamentos e rivalidades dentro da cúpula militar.

Remígio do Espírito Santo iniciou a sua carreira militar no Cuando Cubango e é visto como um quadro leal e em ascensão. A sua nomeação para o segundo posto mais importante do Exército poderá reflectir uma tentativa do Comandante-Em-Chefe de reforçar a disciplina e coesão interna nas FAA, num momento de tensão que se regista dentro das unidades militares.

Apesar da aparente normalidade nos despachos, os analistas destacam que a forma célere e sequencial com que as exonerações e nomeações foram conduzidas sugere uma decisão estratégica — ou mesmo preventiva — face a possíveis conflitos internos ou divergências quanto à condução das reformas no Exército.

 

FONTE: imparcialpress

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