O sábado, 28 de junho, amanheceu sob o peso da controvérsia em Caxito. A marcha organizada pelo MPLA, que deveria ser um ato de apoio voluntário ao Presidente João Lourenço, revelou um cenário sombrio de coação, medo e intolerância.
No centro da indignação está a governadora do Bengo, Maria Nelumba. Mesmo durante o período de férias escolares, dezenas de crianças foram mobilizadas para marchar sob o sol, empunhando bandeiras e entoando palavras de ordem. A imagem de menores uniformizados, arrancados do descanso escolar para fins políticos, chocou pais e observadores.
Mas o episódio mais alarmante ainda estava por vir.
Durante a marcha, um motoqueiro que circulava com um chapéu da UNITA foi violentamente interpelado por militante do MPLA, identificado como Valente Fabiano, conhecido como “Tubarão Branco”. O chapéu do cidadão foi arrancado à força, num ato que simboliza o agravamento da intolerância política na região.
A cena, presenciada por populares, gerou revolta e medo. “Hoje foi um chapéu. Amanhã, o que será?”, questionou um transeunte.
Este episódio não é isolado. Nos dias que antecederam a marcha, escolas como o Complexo Escolar nº 351, no Panguila, foram pressionadas a mobilizar alunos e professores. Diretores escolares, sob ordens do Diretor Provincial da Educação, Manuel Kurizemba, e da própria governadora, executaram uma cadeia de comando que muitos classificam como abuso de poder.
Em Nambuangongo, moradores das aldeias do Gombe e Kifama denunciaram ameaças de exclusão do projeto Kwenda caso não participassem da marcha. A administradora municipal, Deolinda Manuel João, também é apontada como cúmplice na estratégia de coação.
O silêncio das instituições e a tentativa do Comité Provincial do MPLA de abafar os factos apenas alimentaram a indignação.
Hoje, o Bengo não marchou por convicção. Marchou sob pressão. E o país inteiro assistiu.