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Estudante angolana morre em Cuba e corpo é devolvido sem órgãos internos e em decomposição

Estudante angolana morre em Cuba e corpo é devolvido sem órgãos internos e em decomposição

Posted on Junho 19, 2025

A família da jovem angolana Aleluia Patrícia Tchiwissa Twemulilaty, de 26 anos, finalista do 6.º ano de Medicina em Santiago de Cuba, denuncia graves irregularidades no processo de repatriamento do seu corpo, que chegou a Luanda em avançado estado de decomposição, com sinais de mutilação e sem órgãos internos.

Segundo familiares, Aleluia faleceu em circunstâncias ainda por esclarecer no dia 18 de Março deste ano, alegadamente na residência de uma amiga, Jurcia Armando, em Havana, para onde havia se deslocado após deixar Santiago.

O corpo chegou a Angola apenas a 15 de Abril, sem relatório médico conclusivo, acompanhado apenas de uma nota manuscrita que apontava “edema pulmonar de etiologia indeterminada” como causa da morte. Um outro esboço dizia: “Não precisa de investigar”.

Durante o velório, os familiares, muitos dos quais médicos, afirmam ter identificado sinais de profunda manipulação no cadáver: hematomas generalizados, cortes extensos do maxilar ao útero e da garganta ao baixo-ventre, além de suturas grosseiras.

Descobriu-se ainda que todos os órgãos internos, incluindo cérebro, coração, pulmões, fígado, rins e órgãos reprodutivos, haviam sido retirados, sendo substituídos por algodão como enchimento.

“Recebemos apenas a carcaça da nossa filha. Retiraram todos os órgãos sem qualquer consulta à família. Isso é uma violação grave dos direitos humanos e um desrespeito à nossa dor”, disse, emocionado, o pai da jovem, em entrevista ao Na Lente do Crime.

Violação de direitos e apelos à justiça

A família invoca a Convenção Internacional sobre os Direitos Humanos, que garante o direito ao repatriamento digno de cidadãos falecidos no exterior, incluindo a restituição integral do corpo e dos pertences pessoais, bem como o direito à verdade sobre as circunstâncias da morte.

O Código Civil cubano, artigo 25 da Lei n.º 59/1987, também proíbe a remoção de órgãos sem consentimento familiar, salvo para investigação devidamente autorizada ou doação previamente documentada.

No encontro realizado a 23 de Maio com o embaixador de Angola em Cuba, no Hotel Wassa, em Luanda, o diplomata reconheceu não ter conhecimento da ausência dos órgãos e prometeu iniciar uma investigação junto das autoridades cubanas.

Na ocasião, foi entregue um relatório da polícia local sugerindo a presença de substância tóxica no corpo da vítima – informação que contradiz o primeiro “informe de necropsia”.

A família também denuncia ter sido alvo de chantagem por parte de um funcionário identificado como “Azevedo”, da Embaixada de Angola em Cuba, que teria exigido o pagamento de 10 mil dólares no prazo de oito dias para garantir a conservação do corpo e evitar a sua cremação.

Relatam ainda que bens pessoais da falecida, como três telefones, um computador, malas e uma agenda, continuam retidos na representação diplomática.

Suspeitas de homicídio e tráfico de órgãos

A mãe de Aleluia, Maria Tchiwissa, conta que a última vez que falou com a filha foi por chamada feita através do telefone da amiga Jurcia Armando, que alegou que o aparelho de Aleluia teria sido roubado.

A 19 de Março, foi informada da morte da filha por Ginito Zeca, companheiro de Jurcia, que reside em Luanda. Ao tentar ver o corpo por videochamada, Jurcia teria se recusado e cortado qualquer contacto desde então.

Nas redes sociais, começaram a circular vídeos que alegam que Aleluia foi assassinada. A amiga que a acolheu é apontada como principal suspeita.

A família teme que o caso envolva homicídio e tráfico de órgãos e exige que as autoridades competentes, como o Ministério das Relações Exteriores, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC), se pronunciem e tomem medidas urgentes.

“Tudo o que queremos é justiça. Este pesadelo precisa de um fim. A nossa filha merece respeito, e o país precisa de respostas”, declarou o pai da vítima, visivelmente indignado.

Uma médica que teve acesso ao corpo, sob anonimato, confirmou que “os vestígios indicavam luta e possível asfixia”, e considerou “improcedente” a versão oficial da morte por edema pulmonar, frisando que esta não justificaria a remoção total dos órgãos internos.

Contactados pelo NLC no dia 17 de Junho, o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada de Cuba em Angola prometeram pronunciar-se nos próximos dias. A reportagem aguarda os devidos esclarecimentos.

com/Na Lente do Crime

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