Um grupo de trabalhadores da Fazenda Girassol, localizada no polo três da comuna do Rio Loge, município do Nzeto, província do Zaire, denunciou uma série de violações dos direitos laborais, incluindo maus-tratos, más condições de trabalho, baixos salários, alimentação precária e alegada produção de drogas no interior da fazenda.
Os trabalhadores acusam o director da empresa, João Amaral, de nacionalidade portuguesa, de manter práticas laborais abusivas que compararam ao “trabalho escravo”.
“Somos obrigados a trabalhar com ferramentas como catana e enxada em actividades pesadas de corte de capim e colheita de produtos agrícolas, como bananas, pitayas e alface, sem qualquer equipamento de protecção ou uniforme. Trabalhamos com as nossas roupas pessoais”, disseram.
Condições sanitárias degradantes
Os denunciantes relataram que, em caso de acidentes de trabalho, são evacuados para o Hospital Municipal do Ambriz, na província vizinha do Bengo. No entanto, alegam que após a hospitalização, a empresa se desresponsabiliza e ainda procede com cortes salariais arbitrários, entre 10 a 15 mil kwanzas, mesmo quando são apresentados atestados médicos.
“Ficamos surpreendidos quando, mesmo com um atestado médico que nos coloca de repouso, vemos o nosso salário reduzido. A empresa valoriza mais os seus materiais do que os trabalhadores”, criticaram.
Alimentação e água impróprias para consumo
A situação alimentar também é motivo de preocupação. Segundo os trabalhadores, as refeições são escassas e inapropriadas para quem realiza esforço físico sob o sol intenso.
A água consumida é retirada do Rio Loge, sem qualquer tipo de tratamento, o que tem provocado surtos de doenças como vómitos, diarreias, dores de cabeça, alergias e casos frequentes de paludismo.
“O Hospital do Ambriz atende diariamente entre seis a oito trabalhadores com sintomas relacionados à ingestão de água contaminada”, afirmaram.
Carga horária excessiva e ameaças
Outro ponto sensível da denúncia prende-se com o tempo de trabalho. Apesar da Lei Geral do Trabalho estipular um máximo de oito horas diárias, os trabalhadores da Fazenda Girassol afirmam cumprir nove horas de trabalho contínuo.
“Quem se atreve a reclamar é sumariamente despedido, sem qualquer respeito ou processo formal”, lamentaram.
Os trabalhadores apelam à intervenção urgente dos órgãos de defesa dos direitos humanos e do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, temendo consequências mais graves caso a situação persista.
“Pedimos socorro. Se nada for feito, vamos continuar a perder irmãos para a cova por causa dessas condições sub-humanas”, concluem.
Até o momento, a direcção da Fazenda Girassol não prestou qualquer esclarecimento público sobre as acusações.