Diversas embaixadas e consulados angolanos espalhados pelo mundo estão a ser alvo de críticas devido à não transferência dos descontos de segurança social dos seus funcionários para o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
Esta prática tem resultado em situações dramáticas para muitos trabalhadores que, após anos de serviço e descontos, veem-se privados das suas pensões de reforma.
O Secretário de Estado para Administração, Finanças e Património do Ministério das Relações Exteriores, Osvaldo dos Santos Varela, denunciou estas irregularidades durante uma acção formativa dirigida aos adidos administrativos e financeiros das Missões Diplomáticas e Consulares de Angola (MDC).
Osvaldo Varela lamentou que muitos funcionários enfrentem dificuldades financeiras graves na reforma devido à negligência de algumas missões diplomáticas em cumprir as suas obrigações legais.
O embaixador de carreira criticou o desrespeito às regras orçamentais por parte de certas missões, que priorizam despesas eventuais em detrimento das fixas, comprometendo a estabilidade financeira.
Apontou também que algumas embaixadas não cumprem as leis dos países de acolhimento, ao deixarem de pagar a segurança social local, gerando constrangimentos às representações diplomáticas e ao próprio Ministério das Relações Exteriores.
Estas revelações surgem num momento em que a imagem internacional de Angola pode ser afetada, especialmente quando se considera que, por exemplo, a Embaixada de Angola em Espanha acumula uma dívida de cerca de um milhão de euros por não pagar a segurança social há cinco anos.