Nacionalista e veterano da pátria desde os anos 60, António Paulo de Oliveira, de certeza que muitos não o conhecem, mas se falarmos de Paulo Pinga muitos já vão se lembrar. Foi o único ‘câmera-man’ que filmou a proclamação da independência a meia-noite do dia 11 de Novembro de 1975. Na conversa com Pungo a Ndongo, confessou que passados 50 anos não beneficia de nenhuma pensão de reforma,
quer como antigo combatente bem como antigo funcionário do Ministério da Cultura. É profissional da fotografia,cinema e televisão desde 1962
Foi quadro do Ministério da Cultura e do departamento de informação e propaganda do MPLA,(DIP) na divisão de cinema. Também militante do MPLA, desde tenra idade, o seu baptismo como fotográfo foi a foto tirada a quando da grande enxurrada que aconteceu em Luanda nos anos 60. Na altura trabalhava na revista Notícias de João Sarula de Azevedo. “Mandaram-me fazer uma reportagem sobre a chuva, e esse trabalho foi-me feito um teste. A partir daí fui credenciado como repórter fotográfico da revista Notícias’’, conta. Com 81 anos de idade, passou por grandes mestres da fotografia e das imagens para se tornar num grande repórter, como são os casos do Sr Bernardino, que funcionava junto ao antigo edifício do teatro Avenida. Passou pela foto Império, com o Sr. Oliveira.
‘’Eu não fazia apenas fotografia, fazia também o trabalho de projector de filmes. Apreendi a arte de fotografar e filmar na escola do mestre Raul Moreira. Fomos nós que começamos man’ também combati”. E nesta altura o seu comandante foram os generais França Ndalu e Paulo Lara.
Existem dois documentários sobre a Batalha de Kifangondo de foi autor. Aliás, filmou em todas as frentes de batalha em que estavamas FAPLA. Esteve igualmente no Leste, e trabalhou com o actual ministro da Defesa e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos (Liberdade).
Esteve no Cunene, na batalha com os sul-africanos, na Cahama, com o finado general Kundi Pahama que na altura era o governador e estava também na frente de combate. Participou na captura dos mercenários Grilo, Mackenzie e tantos outros. “O número ascendiam em cento e tal. Acompanhei o julgamento desses mercenários e quem foi o juiz foi Manuel Rui Monteiro. Não filmamos, porque não nos foi permitido’’. É cofundador do comité municipal das Ingombotas do MPLA e foi também do círculo
de estudo desse partido. Mesmo não sendo reconhecido pelo trabalho prestado durante muitos anos, se sente militante da primeira hora.
Homem de mil ofícios, foi o primeiro tradutor de Iko Carreira e Agostinho Neto num comício na Gabela em língua nacional Ngoya. ‘’Lembro-lhe que nunca vi tanta gente nos comícios do MPLA como na Gabela. Kibala fica a 77 quilómetros da Gabela e foram e voltaram a pé. Os do Mussende, os do Seles também fizeram a mesma coisa”.
‘’Em todos os eventos de realce que aconteceram em Angola, desde 1975 até aos anos 90 fui sempre chamado como fotógrafo ou câmera-man’. Fui o primeiro fotografo a tirar imagem nos primeiros concursos de Miss, no tempo da Emília Guardado e da finada Manuela Lemos. Elas é que começaram nos primeiros concursos”.
Quando morre Agostinho Neto, em Moscovo, fez uma grande cobertura fotográfica sobre a chegada da urna, tendo sido escolhido pelo bureau político do MPLA para fazer uma exposição em Lisboa e Coimbra cuja delegação foi chefiada pela jurista Luzia Sebastião.
Apesar de ter dado a sua juventude em prolda pátria, esclarece que aos 81 anos de idade não está reformado, tanto como antigo combatente e veterano da pátria, assim como antigo quadro do Ministério da Cultura.
“Sou um filho de Angola. Cumpri com as formalidades para estar inscrito como antigo combatente, e quando fui saber me dizem que o meu processo está avançado e passado esse tempo todo não recebo nenhuma pensão de sobrevivência. Estou a viver às expensas dos meus filhos. Até escuto que alguém
está a comer o meu dinheiro. Não recebo nada do Governo”, lamentou.
De lembrar que Paulo Pinga é natural da Gabela, província do Kwanza-Sul e nasceu no dia 23 de Novembro de 1944, também trabalhou na Rádio Nacional de Angola, como locutor em língua nacional Ngoia.
ANTÓNIO DE OLIVEIRA com a televisão em Angola, incluindo os irmãos Carlos Henriques, o Macossa da TPA, o Pedreneira e tantos outros que já não me lembro dos nomes’’, referiu, gabando-se de ser dos fotógrafos mais polivalentes de Angola,
“porque sou retratista de estúdio, sou repórter fotográfico e também ‘câmera-man’, além de fazer laboratório”. Aliás, prosseguiu, “trabalhei num dos maiores laboratórios de fotografia na antiga empresa Coloro Rama, eu e o Fernando Chaves fomos os primeiros operários’’.
Este antigo activista político do MPLA, recorda que antes dos movimentos de libertação entrarem nas cidades, como são os casos da FNLA, MPLA e a UNITA, já militava em células
clandestinas do MPLA. Muita gente não sabe disso. Foi o primeiro ‘câmera-man’ que filmou o primeiro comício do MPLA, antes do MPLA entrar de forma oficial em Luanda. “O narrador foi o finado jornalista Sebastião Coelho. Isso lhe trouxe muitos problemas. Ele teve quis fugir de Angola para Portugal, porque
estava a ser perseguido pela PIDE’’, observou lembrando que “ninguém queria ir filmar o primeiro comício do MPLA. O Raul Moreira, perguntou-me se eu queria fazer aquele trabalhou e aceitei positivamente. O primeiro comício do MPLA em Luanda foi feito atrás da Liga Africana, ali no campo do Vila Clotilde, isso foi no início de 1974, depois do 25 de
Abril, e antes dos movimentos entrarem na capital. Nesse comício não houve fotografia,
foi apenas filmagem’’. Quando os movimentos de libertação entraram em Luanda, referiu, não trouxeram muitos quadros. “Os que foram encontrados na capital é que ajudaram os seus movimentos.
Cada um tinha o seu movimento de coração.
No caso escolhi o MPLA, porque me identifiquei com as suas ideias. Fui uma das pessoas que ajudou a tirar o MPLA da primeira região político militar. Fotografei os grandes comícios de Nito Alves na primeira região político militar com o finado camarada Bernardo Sousa e a Senhora Cátia que trabalhou no Centro de Imprensa Aníbal de Melo’’.
Foi o primeiro e único ‘câmera-man’ que filmou o discurso de Agostinho Neto no largo 1o de Maio, por altura da proclamação da independência nacional no dia 11 de Novembro de 1975.
“Olha, quando os colonos abandonaram Angola, os departamentos ministeriais, ficaram vazios. Os quadros que ficaram não eram de grande relevância. Todos foram embora para Portugal, levando consigo os melhores equipamentos. Deixaram os obsoletos, mas havia a necessidade dos trabalhos perseguirem”, afirmou, lembrando que “o camarada Hermínio Escórcio, orientou todos aqueles que ti-
nham experiência para segurar as máquinas.
Foi assim que acabai por parar no sector de cinema e o Lucas de Sousa chefiou a fotografia”.
No dia da independência fazia tudo. “Íamos onde éramos chamados. Assim fui o responsável da troca do dinheiro em Caxito do Escudo para o Kwanza”. Também esteve na campanha agrícola em Caxito na açucareira.
Esteve nas campanhas do café em Ndalatando, Uíge e no Huambo para a recolha de citrinos. “Fazíamos tudo: a fotografia do Presidente Neto a cortar a cana-de-açúcar em Caxito foi da minha autoria. Todas as imagens que fazíamos eram depositado no DIP’’, afirmou, sustentando que, após a independência, os
cinemas antes de apresentarem um filme, exibiam documentários. Um dos documentários era o meu, que fala sobre a Batalha de Kifangondo. Nessa batalha para além de ‘câmera-man’ também combati”. E nesta altura o seu comandante foram os generais França Ndalu e Paulo Lara.
Existem dois documentários sobre a Batalha de Kifangondo de foi autor. Aliás, filmou em
todas as frentes de batalha em que estavamas FAPLA. Esteve igualmente no Leste, e trabalhou com o actual ministro da Defesa e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos (Liberdade).
Esteve no Cunene, na batalha com os sul-africanos, na Cahama, com o finado general Kundi Pahama que na altura era o governador e estava também na frente de combate. Participou na captura dos mercenários Grilo, Mackenzie e tantos outros. “O número ascendiam em cento e tal. Acompanhei o julgamento desses mercenários e quem foi o juiz foi Manuel Rui Monteiro. Não filmamos, porque não nos foi permitido’’.
É cofundador do comité municipal das Ingombotas do MPLA e foi também do círculo de estudo desse partido. Mesmo não sendo reconhecido pelo trabalho prestado durante muitos anos, se sente militante da primeira hora.
Homem de mil ofícios, foi o primeiro tradutor de Iko Carreira e Agostinho Neto num comício
na Gabela em língua nacional Ngoya. ‘’Lembro-lhe que nunca vi tanta gente nos comícios do MPLA como na Gabela. Kibala fica a 77 quilómetros da Gabela e foram e voltaram a pé. Os do Mussende, os do Seles também fizeram a mesma coisa”.
‘’Em todos os eventos de realce que aconteceram em Angola, desde 1975 até aos anos 90 fui sempre chamado como fotógrafo ou ‘câmera-man’. Fui o primeiro fotografo a tirar
imagem nos primeiros concursos de Miss, no tempo da Emília Guardado e da finada Manuela Lemos. Elas é que começaram nos primeiros concursos”.
Quando morre Agostinho Neto, em Moscovo, fez uma grande cobertura fotográfica sobre a chegada da urna, tendo sido escolhido pelo bureau político do MPLA para fazer uma exposição em Lisboa e Coimbra cuja delegação foi chefiada pela jurista Luzia Sebastião.
Apesar de ter dado a sua juventude em prolda pátria, esclarece que aos 81 anos de idade
não está reformado, tanto como antigo combatente e veterano da pátria, assim como antigo quadro do Ministério da Cultura.
“Sou um filho de Angola. Cumpri com as formalidades para estar inscrito como antigo combatente, e quando fui saber me dizem que o meu processo está avançado e passado esse tempo todo não recebo nenhuma pensão de sobrevivência. Estou a viver às expensas dos meus filhos. Até escuto que alguém
está a comer o meu dinheiro. Não recebo nada do Governo”, lamentou.
De lembrar que Paulo Pinga é natural da Gabela, província do Kwanza-Sul e nasceu no dia 23 de Novembro de 1944, também trabalhou na Rádio Nacional de Angola, como locutor em língua nacional Ngoia.