Crise na SGA: Funcionários denunciam “gestão paralela” e exigem saída definitiva de Manuel Gomes
Redação | Luanda
A Sociedade Gestora de Aeroportos (SGA, S.A.) atravessa um momento de forte tensão interna, com trabalhadores a denunciarem a permanência do antigo Presidente da Comissão Executiva, Manuel Maria de Barros Gomes, nas instalações da empresa, apesar da recente nomeação de uma nova liderança pelo Ministério dos Transportes.
A permanência do antigo gestor gera mal-estar
Segundo relatos recolhidos junto de fontes internas, Manuel Gomes continua a circular e a ocupar espaços associados ao Conselho de Administração, numa atitude que trabalhadores consideram incompatível com uma transição institucional regular e respeitadora das normas da empresa.
A situação é descrita por funcionários como um foco de instabilidade e constrangimento, sobretudo num momento em que a nova estrutura de gestão, liderada por N’Jinga Nerica Pimentel Pitta-Grós, procura afirmar-se perante a organização.
Denúncias de favorecimento e privilégios
Entre os trabalhadores, cresce também a contestação em torno de alegados privilégios atribuídos ao antigo responsável máximo da empresa. As fontes questionam a possibilidade de Manuel Gomes beneficiar de uma transição para funções de consultoria ou assessoria, cenário que, segundo afirmam, não foi concedido a outros antigos gestores da instituição.
O ambiente interno é marcado por acusações de favorecimento, bem como por críticas severas ao legado deixado pela anterior liderança, descrito por diversos trabalhadores como um período de distanciamento em relação às preocupações laborais e de ausência de resultados visíveis para a empresa.
Nova liderança sob pressão
A pressão dirige-se agora à nova Presidente da Comissão Executiva, N’Jinga Pitta-Grós, e à administradora executiva Djamila Pombal, chamadas a demonstrar autoridade e independência logo no arranque do novo mandato.
Os trabalhadores defendem que a credibilidade da nova administração dependerá, em grande medida, da sua capacidade para pôr termo ao que classificam como uma situação anómala e institucionalmente embaraçosa, rompendo com qualquer influência residual da gestão cessante.
Exigência de rutura com o passado
Para o coletivo de funcionários, a SGA só poderá entrar num verdadeiro novo ciclo se a atual liderança assumir uma rutura clara com práticas que consideram lesivas ao normal funcionamento institucional. A defesa é por uma cultura de gestão assente no mérito, no respeito pelas regras e na valorização da força de trabalho.
Os contestatários consideram que a remoção definitiva da influência do antigo gestor nas instalações e nos processos da empresa será o principal sinal de que a prometida mudança começou, de facto, a produzir efeitos concretos.
“A nova liderança terá de provar, com actos, que a SGA deixou de estar refém de arranjos internos e entrou finalmente num ciclo de autoridade, transparência e respeito institucional.”
Até ao momento, não é conhecida uma posição pública oficial da administração da SGA sobre as acusações levantadas pelos trabalhadores. O clima interno, entretanto, continua marcado por expectativa, tensão e vigilância em torno dos próximos passos da nova liderança.