Após semanas de incerteza e cercos policiais, O General Manuel Paulo Mendes de Carvalho, conhecido como “Paka reapareceu publicamente para confirmar que foi constituído arguido e lançar um duro desafio ao Executivo. Em tom de confronto, o oficial na reforma garantiu que enfrentará a justiça na DNIAP no próximo dia 13 de Janeiro, recusando-se a pedir desculpas ao Presidente João Lourenço e denunciando o que chama de “perseguição política” e “justiça seletiva”.
O Confronto com a Justiça
O general Manuel Paulo Mendes de Carvalho “Paka” pôs fim ao mistério sobre o seu paradeiro com declarações explosivas à Rádio Essencial. Confirmou que a sua comparência na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) está marcada para a próxima terça-feira, às 10h00, mas deixou claro que não vai recuar nas críticas que o levaram à mira das autoridades.
“Não me escondi”
Rejeitando categoricamente a narrativa de fuga, Paka detalhou a sua movimentação pelo interior do país — Huambo, Miungo, Kibala e Kangandala — e criticou o método de notificação da PGR:
- Irregularidade: Considerou “ilegal” a tentativa de intimação por telefone feita em Dezembro.
- Intimidação: Comparou a pressão sobre a sua família a métodos de regimes totalitários.
- Comparação Corrosiva: “Se aqueles que roubaram milhões e andam a pagar Messi não fogem de Angola, eu também não vou fugir”, afirmou, numa alusão direta à impunidade de certas elites políticas.
Sem Recuo Político
O ponto mais alto da sua intervenção foi a recusa absoluta de qualquer reconciliação diplomática com a Cidade Alta. Para o general, o processo é uma tentativa de silenciar a crítica política. Ao afirmar que não deve desculpas ao Presidente, Paka eleva o caso de um processo-crime comum para um verdadeiro teste à liberdade de expressão em Angola.