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"Alerta de Retrocesso: Nova Lei das ONGs ameaça asfixiar a Sociedade Civil em Angola"

“Alerta de Retrocesso: Nova Lei das ONGs ameaça asfixiar a Sociedade Civil em Angola”

Posted on Janeiro 7, 2026

LUANDA – O novo Estatuto das Organizações Não Governamentais (ONGs), que entrou em debate nesta segunda-feira na Assembleia Nacional, está a gerar uma forte onda de contestação. Organizações da sociedade civil advertem que o diploma, tal como está redigido, pode representar um retrocesso significativo na liberdade de associação e na participação cívica em Angola.

O Cerne da Controvérsia

As organizações alegam que a proposta de lei introduz restrições que podem asfixiar a intervenção dos cidadãos na esfera pública. Os principais pontos de preocupação são:

  • Restrição de Direitos: O documento é visto como uma barreira ao exercício pleno de direitos fundamentais já consagrados.
  • Distanciamento do Regime Atual: A nova proposta é considerada muito mais rígida e interventiva do que o quadro legal em vigor.

Contradições Internacionais

Guilherme Neves, Coordenador do Grupo de Monitoria que representa mais de 20 ONGs, aponta uma falha grave na base do documento. Segundo o especialista, existe uma contradição direta entre a nota de fundamentação do Governo e a Carta Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos.

“Esta tendência é perigosa e pode pôr em causa a participação dos cidadãos na vida pública”, alertou Neves, sublinhando o risco de isolamento democrático.

Apelo ao Diálogo

Em declarações ao grupo RNA, o presidente da associação Mão Livres, Salvador Freire, reforçou a necessidade de uma visão mais empática e realista por parte do legislador. Para o jurista, é imperativo que o Estado compreenda as ações e as reais necessidades da sociedade civil antes de impor um novo modelo de supervisão.

O Lado do Governo

Por outro lado, o Executivo defende que a Lei do Estatuto das ONG tem como objetivo principal:

  1. Clareza Jurídica: Criar um quadro legal abrangente para a constituição das organizações.
  2. Supervisão: Estabelecer normas claras de funcionamento e transparência na gestão das ONGs no país.
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