LUANDA – O que deveria ser um marco histórico para o Cazenga — a ascensão da primeira mulher a dirigir o município — converteu-se num pesadelo administrativo. Nádia Neto, que chegou ao poder com o selo de confiança de Manuel Homem e foi mantida por Luís Nunes, encerra o ano de 2025 sob o fogo cruzado de munícipes agastados, que exigem a sua exoneração imediata.
O “Câncer” da Gestão: Uma equipa desconectada da realidade
Fontes próximas da administração revelam que o colapso de Nádia Neto não é apenas político, mas estrutural. A “limpeza” de quadros experientes, como o antigo diretor de gabinete António Ngombo, abriu caminho para uma nova entourage descrita como tecnicamente incompetente e territorialmente alheia.
A atual gestão é acusada de se fechar em gabinetes climatizados, ignorando o pulsar das ruas. O resultado? Uma administração que “mingua e definha” entre a inércia dos diretores “lambe-botas” e a falta de domínio estratégico sobre os problemas críticos do Cazenga.
O Retrato do Abandono: Escuridão, Crime e Lixo
Nas ruas, o otimismo deu lugar à revolta. Onde antes se ouviam elogios, hoje ecoam denúncias de paralisia total:
- Insegurança Galopante: Bairros mergulhados na escuridão tornaram-se o palco ideal para a delinquência, enquanto a administração assiste passivamente.
- Caos Urbanístico: A venda desordenada e o abandono das ações sociais mostram um município sem comando.
- Traição de Confiança: No bairro Vila Flor (Zona dos Porcos), a população sente-se enganada. Promessas feitas pela equipa de Nádia Neto para estancar problemas sociais permanecem no papel, enquanto cooperativas denunciam esquemas de compadrio.
Fim de Linha? O clamor pela exoneração
A pergunta que circula nos corredores do poder e nas esquinas do município é apenas uma: O que falhou? Para muitos, a arrogância prevaleceu sobre a capacidade de ouvir os conselhos.
Com as ruas entregues à própria sorte e a ligação com a comunidade totalmente rompida, Nádia Neto deixa um legado de “nota negativa”. O Cazenga, que esperava uma “mãe” administrativa, encontrou uma gestão que parou no tempo, forçando os munícipes a pedir o fim urgente deste ciclo.