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Mistério no Kilamba: Jovem de 22 anos é enterrada sem consentimento da família após morte suspeita

Mistério no Kilamba: Jovem de 22 anos é enterrada sem consentimento da família após morte suspeita

Posted on Janeiro 2, 2026

LUANDA – A família de Mónica, uma jovem de 22 anos, exige justiça e o esclarecimento das circunstâncias da sua morte no município do Kilamba. O caso, marcado por versões contraditórias do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e pelo enterro prematuro da vítima sem autorização dos familiares, lançou a comunidade em estado de choque.

O Desaparecimento e a Notícia do Óbito

Segundo o relato do pai, Rodrigo Reis, a jovem despediu-se da família informando que visitaria uma tia por 12 dias. Contudo, Mónica terá permanecido na residência de uma suposta amiga, de identidade ainda não revelada.

A família só tomou conhecimento da tragédia no dia 24 de dezembro, quando efetivos do SIC se deslocaram à sua residência para entregar os pertences da jovem, informando que esta já estava morta e — para espanto dos familiares — já havia sido enterrada.

Contradições Oficiais: Três versões para um crime

A investigação apresenta falhas graves e narrativas que não coincidem, segundo as denúncias da família:

  1. Versão da Intoxicação (51.ª Esquadra): Inicialmente, foi dito que Mónica morreu após ingerir uma refeição (feijão com kizaca) com três amigas no KK 5.000. As amigas teriam sido socorridas, mas Mónica faleceu no local. O processo foi registado sob o n.º 7623/25.
  2. Versão de Homicídio (Comando Municipal): Mais tarde, o SIC apresentou uma versão oposta, alegando que a jovem foi assassinada na via pública e que já existia um suspeito detido.
  3. Evidências Físicas: A família teve acesso a imagens do corpo que mostram roupas ensanguentadas e a testa coberta por adesivos, indícios que contrariam a tese de morte por intoxicação alimentar.

Enterro “Administrativo” sob Suspeita

O ponto mais crítico do caso reside na rapidez do sepultamento. Na Morgue Central de Luanda, os familiares confirmaram que o corpo deu entrada na madrugada de 19 de dezembro e foi enterrado apenas três dias depois, a 22 de dezembro.

A administração da morgue alegou que o enterro ocorreu por “orientação do Governo”, uma prática comum apenas em corpos não identificados ou abandonados, o que não se aplicava a Mónica, cujos pertences e identidade eram conhecidos pelas autoridades e pela “amiga” que acompanhou o SIC.

Família Exige Exumação e Justiça

Inconformados com a falta de transparência, os familiares denunciam o que consideram ser uma tentativa de ocultação de provas. “Exigimos saber a verdade. Como podem enterrar uma filha sem avisar os pais se sabiam quem ela era?”, questionam os parentes.

O caso segue agora sob forte pressão social, aguardando-se um pronunciamento oficial do Ministério do Interior e da Direção Geral do SIC para esclarecer as discrepâncias entre as esquadras e o motivo do enterro compulsivo.


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