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Cura Iluminada: uma reflexão de fim de ano

Cura Iluminada: uma reflexão de fim de ano

Posted on Dezembro 27, 2025

As festas têm uma forma peculiar de acender a luz — às vezes suavemente, como velas tremulando em um cômodo silencioso, e às vezes de uma só vez, expondo tudo o que carregamos sob a superfície. Elas iluminam memória e ausência, tradição e ruptura, alegria e os assuntos inacabados de nossas vidas. Para mim, esta temporada passou a ser menos sobre celebração e mais sobre consciência. Eu a chamo de cura iluminada.

Cura Iluminada: uma reflexão de fim de ano

Durante muito tempo, acreditei que a cura era algo que se alcançava. Que, se você trabalhasse duro o suficiente por meio do perdão, da disciplina ou da força de vontade, acabaria chegando a um lugar onde o passado já não o tocaria. O que aprendi, ao longo de anos vivendo, perdendo, amando e contando a minha história, é que a cura não é um ponto de chegada. É uma prática. Uma prática que exige honestidade, coragem e a disposição de permanecer no desconforto tempo suficiente para que ele lhe ensine algo.

No meu livro, Christmas Cactus, traço a minha vida por meio de momentos que, à primeira vista, pareciam desconectados: uma infância moldada por paixão e expectativa, jornadas pela Colômbia de trem e por estrada, os meses humildes que passei limpando baias de cavalos na zona rural da Geórgia, a formação de irmandades inesperadas longe de casa e o desenrolar de um longo casamento que me obrigou a confrontar quem eu era quando os papéis em torno dos quais construí minha identidade começaram a se dissolver. Cada experiência carregava sua própria lição, mas só quando comecei a olhá-las em conjunto — mapeando o que hoje chamo de DNA emocional — compreendi o quanto estavam profundamente conectadas.

As festas têm uma maneira singular de ativar esse DNA emocional. Elas nos trazem de volta às dinâmicas familiares, aos rituais e às histórias que talvez tenhamos superado, mas das quais nunca escapamos completamente. Elas nos lembram de quem nos criou, do que herdamos e do que ainda estamos carregando, às vezes de forma inconsciente. A cura iluminada começa quando permitimos que esses padrões venham à tona, não para julgá-los, mas para compreendê-los.

Assim como o cacto de Natal em si — não convencional, florescendo de forma brilhante quando menos se espera —, a cura não segue um caminho linear nem um cronograma organizado. Ela emerge quando as condições são favoráveis: quando desaceleramos, quando escutamos, quando deixamos de tentar nos consertar e começamos a dizer a verdade. Aprendi que a cura pode acontecer no silêncio, como na quietude compartilhada de um retiro feminino nos Catskills, ou na honestidade radical, como no momento em que me encontrei comigo mesma em uma ala psiquiátrica e não tive escolha senão enxergar minha dor com clareza. Percebo agora que você é dona da sua cura, assim como a vida, tal qual um cacto, apresentará seus espinhos, e você pode pendurar luzes e enfeites para transformar sua vida em um belo Cacto de Natal.

Nesta temporada, reflito sobre o quanto caminhei por causa desses capítulos difíceis. Honro a coragem necessária para escrever a minha história, a humildade exigida para reconhecer meus erros como mãe e parceira, e a graça necessária para aceitar que nem todos curam no mesmo ritmo — ou sequer curam. A cura iluminada me ensinou que a própria consciência é uma forma de libertação. Não é possível mudar aquilo que não se consegue ver.

À medida que o ano se encerra, o meu desejo é por presença, não por perfeição ou resolução. Que possamos nos permitir permanecer com o que é — luto e gratidão, anseio e amor — sem apressar a passagem por isso. Que confiemos na inteligência silenciosa dentro de nós, que sabe como curar, como suavizar, como florescer novamente.

Que esta temporada de festas ofereça a cada um de nós a cura iluminada: aquela que não exige respostas, apenas honestidade; aquela que não apaga o passado, mas transforma a nossa relação com ele. E que levemos essa luz adiante para o novo ano, para as nossas famílias e para as histórias que somos.

por Lina Clavijo

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