O director do jornal O Crime, jornalista Mariano Brás, denunciou ter sido raptado e ameaçado de morte no passado dia 6 de Setembro, em Luanda, por quatro homens armados, entre eles Aniceto Abel da Cunha Cambango, José (apresentado como representante da segurança do PCA da Sonangol), Rafael Domiguez e um indivíduo não identificado.
Segundo o relato do jornalista, a ação terá sido feita a mando do presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins.
O episódio começou com uma tentativa de suborno: Mariano Brás foi abordado com a proposta de 100 mil dólares norte-americanos em troca da não-publicação de uma reportagem sobre o PCA da Sonangol, que já circulava nas redes sociais.
Mais tarde, por volta das 17h00, à porta de sua residência, o jornalista foi surpreendido pelos quatro homens, fortemente armados com pistolas do tipo Makarov e metralhadoras Mini Uzi e Star. Foi colocado no banco traseiro de uma viatura, ladeado por dois dos agressores.
O seu amigo, Filomeno Pedro Sebastião, que o acompanhava, conseguiu inicialmente sair, mas acabou também retido noutra viatura.
Durante o percurso, os agressores intimidaram o jornalista, afirmando que havia “quatro kotas” interessados na sua morte. Sob ameaça, obrigaram-no a desbloquear o telemóvel e a entregar conteúdos relacionados com a reportagem sobre a Sonangol.
As viaturas circularam por diferentes pontos da cidade, incluindo o Kassequel do Lourenço e a antiga marginal de Luanda, antes de devolverem Mariano Brás à sua residência já ao início da noite.
Antes de o libertarem, os homens deixaram um aviso: o jornalista não deveria voltar a escrever sobre magistrados, dirigentes do MPLA, administradores de empresas públicas ou altas patentes da polícia, sob pena de ser eliminado fisicamente.
Participação às autoridades
O jornalista formalizou queixa no Serviço de Investigação Criminal (SIC), no departamento de Crimes Organizados, onde o processo corre com o número 1012/025-DCCO. Paralelamente, abriu também procedimento na Direcção-Geral de Inspecção da Polícia Nacional.
Segundo Mariano Brás, um dos raptores terá assumido ser membro da segurança do PCA da Sonangol, reforçando a ligação entre o caso e a petrolífera estatal. Identidades e números telefónicos de alguns dos envolvidos foram recolhidos durante a ocorrência e entregues às autoridades.
Até ao momento, não há registo público de detenções, nem houve qualquer pronúncia oficial por parte da Sonangol ou das entidades de segurança mencionadas no relato.
Organizações de defesa da liberdade de imprensa consideram que este episódio representa um grave atentado ao direito à informação e à integridade física dos jornalistas.
Fontes próximas de Mariano Brás apelam a uma investigação célere e transparente, que responsabilize os autores materiais e eventuais mandantes, garantindo protecção ao jornalista e condições para o exercício livre e seguro da actividade jornalística em Angola.