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Ministro da Justiça ostenta relógio de luxo avaliado em 74 mil dólares

Ministro da Justiça ostenta relógio de luxo avaliado em 74 mil dólares

Posted on Agosto 17, 2025

Num país onde milhões enfrentam fome e miséria, e onde a recente greve dos taxistas expôs a revolta de uma população cansada — com episódios de vandalismo e pilhagem a comércio como reflexo do desespero —, surge agora uma imagem que choca pela insensibilidade e ostentação.

Marcy Lopes, ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, foi recentemente fotografado a exibir no pulso um relógio suíço da marca BOVET, avaliado em cerca de 74 mil dólares, equivalente a mais de 74 milhões de kwanzas, conforme o câmbio do dia.

Só para se ter uma ideia, este valor ultrapassa várias vezes o rendimento anual de um trabalhador médio angolano e representa o custo de alimentação de várias famílias durante anos.

A marca BOVET, fundada em 1822 por Edouard Bovet, é sinónimo de exclusividade extrema. O modelo que Marcy Lopes exibia poderá pertencer à linha Orbis Mundi, criada para celebrar os 200 anos da marca e inspirada nas viagens do fundador pelo mundo.

Uma ironia amarga para um país onde a maioria dos cidadãos nunca saiu da sua província e luta diariamente para sobreviver com menos de um dólar por dia.

De acordo com informações do mercado internacional, o relógio mais caro da BOVET — o Dimier Récital 3 Orbis Mundi 3WGCO Tourbillon em ouro branco 18k — chega a custar 217 mil dólares.

Não se sabe se o ministro Marcy Lopes possui mais peças desta marca, mas o simples facto de exibir um modelo de luxo de tal valor num contexto de crise social levanta questões sobre prioridades e ética na liderança.

Enquanto hospitais sofrem com a falta de medicamentos, escolas funcionam sem carteiras e centenas de crianças morrerem por causa da desnutrição, um dos principais rostos do aparelho do Estado desfila com um acessório que poderia mudar a vida de dezenas de famílias.

A imagem, amplamente partilhada nas redes sociais, tem gerado indignação e revolta. Muitos questionam como um governante, responsável por garantir os direitos humanos, pode ostentar tamanha riqueza num país onde esses mesmos direitos são diariamente negados e pela desigualdade extrema.

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