Saurimo, Angola — Uma investigação jornalística, com base em informações de uma fonte anônima, aponta para sérias irregularidades e possíveis atividades ilícitas envolvendo a Sociedade Mineira de Catoca e seu CEO, Benedito Paulo Manuel. As acusações, que incluem desvio de diamantes, operações de mercado negro e colaboração com interesses russos sem o consentimento do governo, exigem uma apuração imediata das autoridades competentes.
Rotas de Contrabando e Mercado Ilegal
Segundo a fonte, Benedito Paulo Manuel estaria diretamente envolvido em um esquema de contrabando de diamantes. As operações, supostamente, utilizam uma rota terrestre que parte da província da Lunda Sul, passa pelo Cuango e chega a Camaxilo, em direção à República Democrática do Congo (RDC).
Essa rota teria como objetivo desviar a supervisão das autoridades fiscais e de segurança em Saurimo, Luanda e Dundo.
A denúncia aponta que esses diamantes seriam direcionados ao mercado negro na RDC, um dos principais polos de diamantes ilícitos.
Tentativa de Expansão para Mercados de Risco
Ainda de acordo com a fonte, o CEO da Catoca teria tentado convencer Elton Escrivão, Diretor de Comercialização da ENDIAMA-E.P., a expandir a rede de vendas de diamantes para o Dubai e a Índia. A proposta teria como foco grandes quilates de diamantes.
A fonte anônima afirma que Elton Escrivão teria recusado a participação no esquema, alegando não querer se envolver em atividades relacionadas a diamantes ilícitos.
Colaboração Secreta com a Empresa Russa Alrosa
A denúncia detalha que Benedito Paulo Manuel teria uma tarefa específica de fornecer diamantes à empresa russa Alrosa, uma das maiores mineradoras de diamantes do mundo, sem o conhecimento e aprovação do governo angolano.
Para isso, Benedito teria recebido equipamentos e serviços logísticos, incluindo sondas de perfuração, sistemas de destruição e materiais de detonação. A fonte afirma que a Alrosa teria fornecido a Benedito cerca de US$ 80 milhões para executar a extração de diamantes, com os fundos sendo distribuídos entre empresas e cooperativas no leste de Angola. A parceria também envolveria o desenvolvimento de infraestrutura e a contratação de técnicos.
A denúncia ainda aponta que o plano dos russos se estende à província do Uíge, com o objetivo de explorar ouro e outros minerais. A estratégia incluiria a colaboração com empresas mineiras juniores e a realização de levantamentos geológicos.
IPO da Catoca: Uma Oportunidade para a Influência Russa
A transição da Catoca de uma sociedade anônima para uma sociedade por ações, com o objetivo de uma Oferta Pública Inicial (IPO), é vista como uma estratégia para consolidar a influência russa na mineração angolana.
A fonte sugere que, ao ser cotada na bolsa de valores, a Catoca poderia ter seu capital estruturado com a entrada de investidores russos. A denúncia aponta que esses investidores poderiam usar intermediários do Líbano e de países árabes para dissimular a origem do capital, com o apoio de Benedito Paulo Manuel.
Necessidade de Investigação
As acusações levantadas exigem uma investigação minuciosa e urgente por parte das autoridades angolanas, incluindo a Procuradoria-Geral da República, o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, e órgãos de combate à corrupção.
A natureza transnacional das supostas operações de contrabando e lavagem de dinheiro também demanda a atenção de agências internacionais.
A atuação de Benedito Paulo Manuel, se confirmada, pode representar um grave obstáculo para a transparência e a legalidade do setor de mineração em Angola, comprometendo a credibilidade do país perante a comunidade internacional e a estabilidade econômica.
FONTE:makamavulonews