O Gabinete dos Direitos Humanos da ONU reclamou hoje às autoridades angolanas “investigações rápidas, exaustivas e independentes sobre as mortes de pelo menos 22 pessoas, bem como sobre as violações dos direitos humanos associadas” durante os protestos em Luanda.
Reconhecendo que “alguns dos manifestantes recorreram à violência e que vários indivíduos terão aproveitado a agitação para cometer atos criminosos, incluindo saques a lojas, bem como vandalismo de propriedade em vários locais da capital, Luanda”, Al-Kheetan apela às autoridades angolanas “para que se abstenham de recorrer ao uso desnecessário ou desproporcional da força para manter a ordem pública e garantam o pleno gozo dos direitos à vida, à liberdade de expressão, à reunião pacífica e à associação”.
“Quaisquer indivíduos que possam ter sido detidos arbitrariamente devem ser imediatamente libertados. Todos os manifestantes que saem às ruas para expressar as suas opiniões devem fazê-lo de forma pacífica. Todas as violações dos direitos humanos devem ser investigadas e os responsáveis devem ser responsabilizados”, conclui o porta-voz do Gabinete de Direitos Humanos, com sede em Genebra, Suíça.
Luanda começou hoje a regressar à normalidade, após três dias de paralisação dos taxistas que deram origem a violentos tumultos, pilhagens e confrontos, que provocaram 22 mortos, 197 feridos e 1.214 detenções, segundo as autoridades.
Os atos de violência registaram-se entre segunda e quarta-feira, na sequência de uma paralisação convocada por cooperativas e associações de táxis, em protesto contra a subida do preço dos combustíveis e das tarifas de transporte público, não havendo ainda uma contabilização oficial dos prejuízos materiais causados pelos atos de vandalismo e pilhagem.
O Governo classificou os acontecimentos como “atos de vandalismo” e hoje mesmo as autoridades angolanas começaram a julgar os autores das pilhagens e do vandalismo, muitos dos quais menores de idade e que serão devolvidos às respetivas famílias.