André Ventura é o líder do CHEGA. É um cidadão português suburbano e muito mal formado. Serve-se da política para dar nas vistas e garantir um lugar ao sol na sociedade portuguesa. Falta-lhe pedigree. Falta-lhe traquejo social. Falta-lhe decência cívica. Vê-se a olho nu.
Os seus discursos são marcados por uma postura preconceituosa e por um populismo da mais baixa categoria e admissibilidade política. Destaca-se mais pela pesporrência, agressividade e preconceito racial do que por ideias construtivas.
Os seus posicionamentos revelam uma preocupante limitação intelectual e um profundo desrespeito pelos valores democráticos que sustentam Portugal enquanto País de brandos costumes, seguro e acolhedor para todos.
André Ventura é o timoneiro do ódio racial em Portugal. É indigno de representar, na Assembleia da República, os portugueses de bem e o Portugal que todos os falantes da Lusofonia respeitam e estimam.
Portugal e os seus cidadãos bem formados dispensam aprendizes de apóstolos da violência e da intolerância política. André Ventura apareceu para destruir os valores políticos e democráticos conquistados a 25 de Abril de 1974.
André Ventura ataca tudo e todos. Esse é o seu timbre. É assim que se impõe: Através do ruído, da ofensa e da constante necessidade de criar inimigos imaginários. O seu mais recente alvo foi uma colega deputada: Eva Cruzeiro (Eva Rap Diva).
Ao fazê-lo, André Ventura demonstrou, mais uma vez, o quão impreparado está para conviver com a diferença e o perigo que representa para um Portugal plural e inclusivo.
O ataque de André Ventura contra Eva Cruzeiro foi duro. Excludente, ofensivo e recheado de traços racistas. O chefe da seita do ressentimento afirmou que o Parlamento “não é a casa” de Eva Cruzeiro.
Desqualifico-a com base na sua origem social e na sua carreira artística. Uma tentativa clara de expulsar simbolicamente do espaço político todos aqueles que não se encaixam no molde elitista que ele tenta impor como norma.
As declarações de André Ventura contra Eva Rap Diva revelam um projecto político assente na exclusão, na provocação e na negação dos valores do 25 de Abril.
Este episódio não é um desvio pontual. É o espelho de um discurso sistemático que coloca em causa o pluralismo democrático e a ideia de uma República feita de diversidade.
A resposta de Eva Cruzeiro foi tempestiva e firme. Corajosa e necessária. Recordou a sua carreira de mais de vinte anos, com actuações em palcos prestigiados, em vários países e também nos bairros onde o Estado raramente chega.
Sublinhou que trabalhou e estudou mais do que muitos dos deputados que hoje tentam deslegitimá-la com base em preconceitos de classe, género e raça.
Eva Cruzeiro nem precisava de responder. Ventura não merece essa atenção. A cada intervenção sua, confirma-se o que já se suspeitava: É um político mal formado. Moral e intelectualmente. Um caso clássico de oportunismo político travestido de patriotismo.
Não vale a pena dar palco prolongado a quem vive da provocação para se manter relevante. Se continuar a recorrer ao insulto como estratégia, a trajectória de André Ventura vai ser curta. Vai acabar como uma triste memória dos que dividiram mais do que uniram.
Portugal já mudou. O seu povo também. Os seus políticos devem acompanhar essa mudança. André Ventura ainda não o percebeu. Continua a actuar como se estivéssemos presos a uma ideia antiga de nação, onde as referências nacionais se resumem ao queijo, ao presunto e ao vinho do Porto. Tipo velho do Restelo. Mas Portugal de hoje é outro.
É feito de muitas vozes e muitas línguas. Muitos tons de pele. O Parlamento, goste-se ou não, também é casa de Eva Cruzeiro. E de todos os que chegaram à política por mérito próprio, vindos da cultura e da luta. Da periferia.
Um conselho (que não me foi pedido): Que Eva Cruzeiro não desperdice o seu talento a responder a André Ventura. Não se desce ao pântano sem sair enlameado. E André Ventura, com o tempo, vai ser apenas uma nota de rodapé na história de um País que resistiu ao populismo com inteligência e dignidade.
*Jornalista