O julgamento de Gelson Brás, de 36 anos, acusado de ter abusado sexualmente de uma menor de 12 anos, arranca na quarta-feira, 9 de Julho, no Tribunal de Comarca de Viana. O arguido, que esteve detido em 2020, era à data dos factos funcionário da Presidência da República.
O caso remonta a 2020, no distrito do Zango, município de Viana, após uma denúncia apresentada pela mãe da vítima, Lusineide Freitas, que acusou formalmente o implicado.
Segundo a família, o processo terá permanecido inactivo durante mais de quatro anos, até que uma equipa de advogados da Ordem dos Cidadãos Solidários (OCS), liderada pelo advogado Osvaldo Carlos Salupula, conseguiu reactivar o processo, que estava alegadamente extraviado.
Os pais da menor, que manifestavam cepticismo quanto ao andamento do processo, dizem agora esperar que se faça justiça. “Os abusos sofridos deixaram marcas profundas e continuam a afectar o desenvolvimento psicológico da nossa filha”, afirmou a mãe da vítima.
O caso foi inicialmente denunciado pelo portal Na Mira do Crime, o que, segundo a família, terá resultado em tentativas de silenciamento e numa queixa-crime apresentada contra a direcção portal o acima referido por parte do arguido. No entanto, a denúncia pública acabou por ser crucial para a reabertura do processo.
A família agradeceu ao portal e aos advogados que persistiram na busca pela verdade e pede que todos os envolvidos sejam responsabilizados.
“Não se trata apenas de punir o autor direto, mas de garantir que a justiça funcione, independentemente da posição social ou ligação institucional dos implicados”, sublinhou o advogado da família.
O julgamento será acompanhado de perto por diversas organizações da sociedade civil que defendem os direitos das crianças e a responsabilização de casos de violência sexual.