Um grave episódio de violência e má conduta empresarial veio a público nas últimas semanas envolvendo a sociedade da empresa Cerâmica do Bié, situada nas proximidades do Rio Cuito, a caminho da comuna do Cunje.
A denúncia, feita por familiares de uma das partes envolvidas, expõe acusações de ameaças com arma de fogo, abuso de poder e tentativa de usurpação societária.
O alegado agressor é Sandro Vilombo Miguel, um dos sócios da cerâmica, que, segundo a denúncia , tem se apresentado publicamente como único proprietário da empresa, desconsiderando de forma deliberada e abusiva a existência do co-fundador Alberto Mateus Kapata, também sócio legalmente reconhecido nos documentos constitutivos da empresa.
A situação terá escalado no início deste mês de Junho, quando, confrontado por Kapata sobre o desrespeito aos acordos societários, Sandro Vilombo Miguel reagiu com ameaças armadas, exibindo e supostamente apontando uma arma de fogo contra o seu próprio sócio.
O acto foi classificado pela família do lesado como criminoso e indicativo de instabilidade emocional do empresário, que não pertence a nenhuma corporação militar e, portanto, não possui prerrogativa para o porte de arma.
A família de Alberto Kapata exige agora responsabilização criminal e cível do agressor, apelando às autoridades do Ministério Público, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Nacional a intervirem com urgência.
Até ao momento, nenhuma acção formal foi anunciada pelas autoridades competentes, o que levanta sérias preocupações sobre a impunidade de figuras com influência económica na província do Bié.
“É inaceitável que um empresário, por mais poder financeiro que tenha, possa ameaçar um cidadão com arma de fogo e continuar impune”, afirma a família, salientando que “a PGR ainda não o chamou, e isso dá um sinal errado de que há cidadãos acima da lei.”
Os denunciantes ainda apontam a possibilidade de Sandro Vilombo sofrer de distúrbios psicológicos, sugerindo que este facto não pode justificar actos violentos nem a tentativa de monopolizar ilegitimamente uma empresa fundada a dois.
O caso levanta questões maiores sobre segurança empresarial, regulação do porte de armas e o funcionamento da justiça em contextos onde o poder económico se sobrepõe ao direito.
A Cerâmica do Bié permanece em funcionamento, mas a instabilidade entre os sócios ameaça a continuidade da empresa e lança um alerta para outros empreendedores sobre os riscos de sociedades empresariais mal geridas e sem supervisão legal ativa.
Até o momento, Sandro Vilombo Miguel não se pronunciou publicamente sobre as acusações. O espaço está aberto para eventuais esclarecimentos por parte do visado.