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PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO PARTICIPOU EM REUNIÃO SOBRE A CÓLERA EM ÁFRICA

Posted on Junho 4, 2025

NOTA DE IMPRENSA

Organizada pela África CDC e com a presença de diversos Chefes de Estado africanos

PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO PARTICIPOU

EM REUNIÃO SOBRE A CÓLERA EM ÁFRICA

Luanda, 4 de Junho de 2025 – O Presidente da República de Angola e Presidente da

União Africana, João Lourenço, participou ao início da tarde de hoje numa reunião

presidencial de emergência sobre a situação da cólera em África, iniciativa do

Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, que é o campeão da União Africana para

a Cólera.

A reunião de alto nível decorreu em formato virtual e foi organizada pela África-CDC,

Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência de saúde pública da

União Africana criada para reforçar as instituições de saúde no continente e para lidar

com ameaças de doenças.

O encontro serviu para fazer o ponto de situação do surto de cólera que atinge

numerosos países de África na actualidade, com maior incidência em quatro nações,

designadamente Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Angola.

Os vários Chefes de Estado que tomaram parte nos trabalhos, de entre eles Félix

Tshisekedi, do Congo Democrático; Netumbo Ndaitwah, da Namíbia; John Dramani,

do Ghana e Lazarus Chakwera, do Malawi, foram unânimes em admitir que o

recrudescimento da cólera como epidemia em África é o resultado da falta de investimento, durante décadas, em infra-estruturas de saúde, água, saneamento e

higiene e que o continente “não deve aceitar a cólera como algo normal”.

Na visão dos líderes reunidos hoje para debater o estado da cólera em África, é

imperioso que o continente berço da Humanidade se dote de capacidade para acelerar

a produção local de vacinas e suprimentos indispensáveis, porque este “não é mais o

momento de se ficar à espera de ajudas externas”, disseram.

O Presidente da União Africana, João Lourenço, o primeiro orador depois das palavras

de boas-vindas de Mahmoud Yussuf, Presidente da Comissão da União Africana,

considerou que “a cólera é muito mais do que uma emergência sanitária, representa

um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento económico, social e humano”.

O Chefe de Estado angolano apontou a cólera como sendo uma oportunidade ideal

para “resolver antigos problemas estruturais através de soluções inovadoras e

sustentáveis, investindo em infra-estruturas adequadas de água, saneamento e saúde

pública, não apenas para salvar vidas mas também para gerar ganhos económicos e

financeiros concretos, criando as bases sólidas para sociedades mais saudáveis,

resilientes e prósperas”.

João Lourenço defendeu igualmente, no seu discurso, a necessidade de se investir na produção de fármacos nos nossos países, afirmando que “para assegurar uma resposta robusta e sustentável a esta e futuras crises, é fundamental localizarmos a produção de medicamentos e vacinas no nosso continente.

PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO PARTICIPOUEM REUNIÃO SOBRE A CÓLERA EM ÁFRICA
PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO PARTICIPOU
EM REUNIÃO SOBRE A CÓLERA EM ÁFRICA

A dependência exclusiva

de importações externas limita a nossa capacidade de resposta e compromete a

nossa soberania sanitária”.A reunião presidencial de emergência sobre a situação de cólera em África contou

também com a participação do Director Geral da Organização Mundial da Saúde, o

etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus.

DISCURSO, NA ÍNTEGRA, DO PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO

Excelência Presidentes e Chefes de Estado e de Governo, Membros da União Africana;

Distintos Ministros da Saúde, da Energia e Águas, do Ambiente e das Finanças, dos

Estados Membros da União Africana;

Digníssimo Doutor Tedros Adhanom Ghebreyesus, Director Geral da Organização

Mundial da Saúde (OMS);

Digníssimo Diretor Regional Interino da OMS, Dr. Chikwe Ihekwazu;

Digníssimo Diretor Geral do CDC – Africa, Dr. Jean Kaseya;

Digníssimos Diretor Regional do UNICEF da África Ocidental e Central, Dr. Gilles

Faganinou e Diretora do UNICEF para África Oriental e Austral, Dra. Estleva Kadilli;

Digníssimos parceiros de desenvolvimento,

Encontramo-nos hoje diante de um desafio que exige não apenas acção imediata, mas uma visão estratégica e sustentada para o futuro do nosso continente.

A cólera é muito mais do que uma emergência sanitária, representa um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento económico, social e humano.

No entanto, ela abre igualmente oportunidades únicas para resolver antigos problemas estruturais através de soluções inovadoras e sustentáveis, como investir em infra-estruturas adequadas de água, saneamento e saúde pública não apenas para salvar vidas, mas também para gerar ganhos económicos e financeiros concretos, criando as bases sólidas para sociedades mais saudáveis, resilientes e prósperas.

Excelências,

Enfrentar esta doença significa investir de forma robusta nestas infra-estruturas

essenciais, aproveitando o momento para transformar desafios históricos em

oportunidades reais de desenvolvimento económico e social. Esta luta não pode ser ganha apenas com medidas imediatas, ela exige uma abordagem estratégica, integrada e duradoura.

É possível controlar esta doença, com uma resposta rápida, integrada e coordenada;

com compromisso político e acções concertadas, podemos vencer a cólera.

Desde o início do corrente ano que Angola enfrenta um novo surto, com 24.536 casos e 718 óbitos até ao dia 2 de Junho, apresentando uma taxa de letalidade de 2,9%. Contudo, graças às medidas imediatas tomadas pelo Governo e parceiros, começamos já a observar melhorias claras em várias províncias.

Os nossos esforços começam a ter resultados concretos e estão efectivamente a salvar vidas.

Excelências,

Para assegurar uma resposta robusta e sustentável a esta e futuras crises, é

fundamental localizarmos a produção de medicamentos e vacinas no nosso

continente. A dependência exclusiva de importações externas limita a nossa

capacidade de resposta e compromete a nossa soberania sanitária.

Angola está fortemente empenhada em desenvolver capacidades nacionais para a produção de medicamentos e de vacinas, com o objetivo claro de atender não apenas as necessidades internas, mas também de contribuir para as necessidades continentais, reforçando assim a segurança sanitária de África.

É nossa convicção de que a produção local é uma prioridade estratégica,

representando também uma oportunidade significativa de diversificação e crescimento económico para o nosso continente, sendo este investimento uma afirmação clara do nosso compromisso em promover a autossuficiência sanitária e

económica de África.

Excelências,

É urgente que, enquanto líderes africanos, assumamos de facto o controlo das

soluções sanitárias do nosso continente, apostando na capacidade africana para

produzir vacinas, medicamentos e equipamentos médicos essenciais, devendo a nossa solidariedade continental se traduzir em acções concretas e estruturais.

Que este encontro marque um compromisso firme e colectivo para garantir um futuro

de dignidade, saúde e prosperidade para todos os nossos povos.

Muito obrigado.

 

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