A importância de mostrar os feitos das mulheres em todos os domínios do saber, como indicadores da emancipação de género na sociedade angolana, é o foco da exposição “Mulher mais do que Março” do artista plástico Cláver Cruz.
A mostra de arte, composta por sete quadros produzidos em acrílico sobre tela, foi inaugurada dia 8 e fica patente até ao dia 22 do corrente mês no bairro da Mapunda, arredores da cidade de Lubango, na província da Huíla.
Cláver Cruz recorre ao abstraccionismo para buscar transcender a representação figurativa, concentrando-se em formas e cores para expressar emoções e conceitos de maneira não objectiva.
Quanto ao surrealismo visível nas obras, a intenção foi explorar o inconsciente e a imaginação, incorporando fantasias nas obras que desafiam a lógica convencional. As mulheres, disse, são colocadas nas obras sempre em primeiro plano como forma de as valorizar permanentemente, por ser uma figura relevante nas sociedades.
O foco do tema, explicou, foi procurar partilhar as vivências e ajudar a compreender as qualidades das mulheres, no sentido de mostrar que são capazes de alcançar os objectivos, desde que nunca se coloquem na posição de inferioridade diante dos desafios e adversidades da vida.
Cláver Cruz tem como referência, nas artes plásticas, o Mestre Padu e já participou em várias exposições colectivas e individuais. Chiteculo Cláver, artisticamente conhecido por “Cláver Cruz”, é natural do município de Caconda, província da Huíla. Nasceu a 25 de Abril de 1989 e é funcionário público.
Primeiro do género
A província da Huíla conta, agora, com o primeiro Atelier Transversal inaugurado recentemente no bairro da Mapunda, arredores da cidade do Lubango, com o objectivo de agregar valor às artes e aos criadores nacionais.
A professora de Artes Eduarda Pereira, uma das co-mentoras da iniciativa, explicou ao Jornal de Angola, no acto de inauguração, que o espaço vai abrir portas para que os artistas locais possam apresentar os trabalhos num local com dignidade.
Eduarda Pereira sublinhou que o projecto nasce da paixão por criar um ponto de encontro, em que mentes criativas e curiosas “possam explorar novas ideias, partilhar experiências e desfrutar de momentos de apreciação das criações artísticas”.
O Atelier Transversal tem uma biblioteca com mais de 400 livros, com um conceito inovador que combina a arte e a cultura num espaço único e inspirador, concebido para os amantes das artes nas várias dimensões.
Exposições e oficinas
O Atelier Transversal tem uma programação regular de eventos culturais, como exposições de artes, sessões de leitura, workshops de escrita criativa, oficinas, palestras e momentos de intercâmbio entre gerações.
A co-mentora do espaço Paula Rocha Santos disse que o projecto vai propiciar oportunidade de intercâmbio com as escolas públicas e privadas para ajudar os responsáveis das instituições de ensino a incentivar o hábito pela leitura. O espaço cultural, conta, igualmente, com o apoio da Associação de Autores da Huíla, que disponibiliza obras em formato digital que podem ser lidos e baixados gratuitamente.